A edição do Globo Rural deste domingo (26), na TV Globo, com apresentação de Cristina Vieira e Nélson Araújo, abordou a transição do monocultivo para sistemas agroflorestais no estado do Pará. A reportagem explicou as dificuldades enfrentadas pelos produtores de soja em Goiás devido ao clima severo. O programa também apresentou as expectativas para a safra de olivas no Rio Grande do Sul.
O que precisa de saber
- Globo Rrual explora o sistema agroflorestal para plantar dendê no Pará.
- Seca severa e chuvas tardias prejudicam a colheita de soja em Goiás.
- Rio Grande do Sul projeta colheita recorde e superior de azeitonas.
- Plantas daninhas ganham forte resistência ao uso do herbicida comum.
- Tradição da linguiça Cracóvia fortalece a economia do interior do PR.
- Especialistas respondem a perguntas sobre pereiras doentes e codornas.
Destaques do Globo Rural no cultivo do dendê
A colónia japonesa de Tomé-Açu lidera uma mudança no cultivo do dendê no Pará. Os primeiros pés ocuparam a região na década de 1980 em substituição à pimenta-do-reino. A cultura anterior sofreu com doenças ligadas ao monocultivo exaustivo. Os agricultores adotaram agora o sistema agroflorestal para consorciar o dendê com espécies nativas, como cacau e açaí. A técnica recupera rapidamente os nutrientes do solo.
O maneio sustentável elevou o rendimento individual das plantas na propriedade avaliada. A produção saltou de 130 kg para 180 kg de cachos frescos anuais. “No conjunto por hectare é bem maior do que o monocultivo do dendê”, garante o produtor Suzuki. A engenheira florestal Patrícia Suzuki defende o equilíbrio natural do sistema. “Você vê um sistema diverso, rico e com vida”, declara.
Safra de soja enfrenta adversidades em Goiás
Os produtores de soja em Goiás contabilizam altos prejuízos na reta final da colheita. A estiagem prolongada atrasou o plantio inicial em dez dias. As chuvas intensas ocorreram exatamente durante a retirada dos grãos. As máquinas colheitadeiras não operaram corretamente no campo muito húmido. A Conab projeta uma queda de 2,6% na produção local. O cenário reduziu a margem de lucro de forma drástica.
Cerca de 10% dos grãos colhidos ficaram deformados pelas condições climáticas extremas. O excesso de humidade exigiu secagem artificial antes do armazenamento em silos. Os custos de produção atingiram níveis históricos para os agricultores. “Nosso problema não é produtividade. Nosso problema é custo elevado de produção”, afirma um especialista em mercado. O Brasil deve colher 179 milhões de toneladas de soja no ciclo total.
Pragas e ervas daninhas afetam produtores rurais
O consumo de herbicidas dobrou no Brasil nos últimos dez anos. Uma pesquisa da Embrapa revela que plantas daninhas desenvolveram resistência total ao glifosato. O capim pé-de-galinha lidera os problemas nas lavouras. “Tudo que é feito hoje para o pé de galinha é uma forma paliativa”, relata o agricultor Rogério. Os especialistas recomendam o maneio integrado com o plantio de capim braquiária na entressafra.
Bandos de maritacas causam grande estrago nas lavouras do interior de São Paulo. A espécie atacou fortemente os pomares de caqui e destruiu mais da metade das plantações comerciais de milho em Jarinu. A ave migrou para as cidades e criou novos hábitos. “Então, se o bando descer mesmo, o estrago é grande”, afirma o produtor Rodrigo ao mostrar os frutos totalmente danificados.
Colheita de olivas e o sucesso da linguiça Cracóvia
A colheita de olivas no Rio Grande do Sul apresenta recuperação após duas safras ruins. O estado responde por 75% da produção nacional de azeite. A estimativa aponta um rendimento superior a 15 kg por planta num pomar de Pelotas. “A nossa perspetiva é superior a 150 toneladas”, comemora o produtor gaúcho Alcir. A colheita na região sul estende-se sem interrupções até ao mês de junho.
O município de Prudentópolis fortalece a venda comercial da linguiça Cracóvia no Paraná. A receita tradicional une carne suína nobre, alho e especiarias variadas. O embutido passa por um processo de defumação de até oito horas. “Ela tem um sabor diferente. Ela é suave”, conta a produtora Lourdes. O produto regional recebeu o selo de Indicação Geográfica para atestar oficialmente a sua origem.
Especialistas respondem a dúvidas dos telespectadores
Solução para fungo em folhas de pereira
A telespectadora Ana Paula, de Porto Alegre, enviou foto de uma pereira com folhas manchadas. O agrónomo João Fioravanço, da Embrapa, explicou tratar-se de ose. A doença fúngica afeta severamente a cultura no país. Inicialmente, o fungo cria pequenas manchas escuras. O quadro evolui para a queda das folhas. Esse problema prejudica o desenvolvimento da planta e a produção total de frutos.
Para solucionar a infestação na árvore doméstica, o especialista recomenda diminuir a humidade da copa. O agricultor precisa promover a entrada de sol e a circulação de ar. Fioravanço sugere amarrar os ramos verticais e prendê-los ao solo com estacas. O maneio de arqueamento forçado deve manter quatro galhos direcionados para lados diferentes. A técnica exige podas frequentes durante o período de inverno.
Como identificar o sexo das codornas
O telespectador Jorge, de Alagoinhas, na Bahia, perguntou como descobrir o sexo das codornas. O produtor Lucas Kelly explicou que os machos apresentam porte menor. A plumagem do peito possui um tom castanho escuro e bastante uniforme. As fêmeas exibem uma coloração acastanhada mais clara com pintas visíveis. Essa identificação visual da ave ocorre facilmente a partir de vinte dias de vida.
Outra diferença notável entre os sexos das codornas está no órgão reprodutor. A cloaca do macho liberta uma espuma branca após uma leve pressão com os dedos. Os machos também emitem um canto forte para atrair as fêmeas para o acasalamento. As fêmeas produzem sons bem mais discretos no aviário. O método visual serve para aves destinadas ao corte e à postura.
Cuidados com a sapucaia na Mata Atlântica
O telespectador Flávio, do município de Caeté, em Minas Gerais, pediu informações sobre um fruto nativo. O consultor Sukita Kurosawa identificou a espécie exótica como sapucaia. A planta regional também é conhecida como fruta-de-babado ou fruta-de-cotia. A árvore silvestre oferece belas flores e funciona muito bem como decoração ornamental. A espécie habita naturalmente as regiões preservadas da Mata Atlântica brasileira.
O especialista alertou sobre os perigos na hora de comer a sapucaia colhida na natureza. As sementes da fruta apresentam componentes tóxicos ao organismo humano. O consumidor precisa separar muito bem a polpa antes da refeição. Em caso de dúvidas, Kurosawa sugere deixar os frutos no campo para a alimentação dos animais silvestres. O cuidado previne sérios problemas de saúde intestinal.
Cultivo e preparo da planta peixinho
A telespectadora Camila buscou orientações sobre o peixinho-da-horta. O investigador Nuno Madeira detalhou o cultivo dessa planta alimentícia não convencional. A hortaliça exibe folhas verdes prateadas e textura totalmente aveludada. A espécie adapta-se facilmente em regiões de clima mais ameno no Brasil. O plantio exige uso de mudas iniciais e solos muito ricos em nutrientes, cobertos com bastante palhada seca.
O vegetal oferece propriedades ricas em proteínas e fibras alimentares importantes. O preparo culinário ideal não inclui saladas frias nem refogados por causa da textura bastante fibrosa. O agrónomo sugere passar as folhas cruas em ovos e farinha. Após a fritura em óleo quente, a planta ganha formato semelhante a um pequeno peixe. O alimento empanado revela sabor suave e crocante.

