O cinema brasileiro perdeu nesta sexta-feira (14) um de seus maiores nomes. Cacá Diegues, diretor de filmes como Bye Bye Brasil (1979), Xica da Silva (1976) e Deus é Brasileiro (2003), morreu no Rio de Janeiro aos 84 anos. A causa do óbito foram complicações decorrentes de uma cirurgia, mas detalhes sobre o procedimento ou o hospital onde estava internado não foram divulgados.
Cacá Diegues foi um dos principais expoentes do Cinema Novo, movimento que revolucionou o cinema nacional nas décadas de 1960 e 1970. Ao lado de Glauber Rocha (1939-1981), Leon Hirszman (1937-1987) e Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), ajudou a renovar a linguagem cinematográfica brasileira, abordando temas sociais e políticos em suas produções.
Nascido em Maceió, em 1940, Carlos Diegues mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito pela PUC-Rio. Durante os anos de estudante, fundou um cineclube e começou a atuar como cineasta amador ao lado de David Neves (1938-1994) e Arnaldo Jabor (1940-2022). Foi também um dos criadores do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes, espaço de articulação cultural e política na década de 1960.
Seu primeiro longa-metragem profissional, Ganga Zumba (1964), já mostrava o engajamento social e político que marcaria sua carreira. Nos anos seguintes, Cacá Diegues se consolidou com A Grande Cidade (1966), Os Herdeiros (1969) e, após um período de exílio devido à Ditadura Militar (1964-1985), dirigiu Quando o Carnaval Chegar (1972), com Chico Buarque e Maria Bethânia.
O grande sucesso popular veio com Xica da Silva (1976), estrelado por Zezé Motta, que levou multidões aos cinemas e se tornou um dos filmes mais marcantes do período. Em 1979, lançou Bye Bye Brasil, uma das produções brasileiras mais reconhecidas internacionalmente, exibida em festivais como Cannes e Veneza.
Nos anos 1980 e 1990, Cacá Diegues manteve uma produção ativa, dirigindo filmes como Quilombo (1984), Dias Melhores Virão (1989) e Tieta do Agreste (1996), baseado na obra de Jorge Amado. Em 2003, lançou Deus é Brasileiro, com Antônio Fagundes no papel de um Deus que busca um substituto para seu posto na Terra.
Além da contribuição ao cinema, Diegues também teve forte atuação na cultura e literatura. Em 2018, foi eleito para a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, que já foi ocupada por Euclides da Cunha. Sua trajetória foi celebrada no Carnaval do Rio de Janeiro em 2016, quando a escola de samba Inocentes de Belford Roxo homenageou sua obra com o enredo “Cacá Diegues – Retratos de um Brasil em cena”.