O jornalista Léo Batista, pioneiro da televisão no Brasil e referência no jornalismo esportivo, morreu neste domingo (19), aos 92 anos. Com mais de 65 anos de carreira, sendo mais de cinco décadas dedicadas à Globo, o profissional estava internado no Hospital Rios D’Or, no bairro de Freguesia, na zona oeste do Rio de Janeiro, desde 6 de janeiro. Ele foi diagnosticado com um tumor no pâncreas após se queixar de desidratação e dor abdominal.
Nascido João Baptista Belinaso Neto, Léo Batista foi uma das figuras mais respeitadas do jornalismo esportivo brasileiro. Filho de imigrantes italianos, cresceu enfrentando desafios. Aos 14 anos, saiu de um colégio interno para ajudar a família e começou a trabalhar como garçom na pensão do pai. Em busca de novos horizontes, se mudou para Campinas e iniciou sua trajetória no rádio.
O primeiro emprego de Léo Batista foi na Rádio Birigui. Lá, participou da produção de noticiários e resenhas esportivas, narrando jogos e treinando em campos improvisados. “De mansinho, eu ia treinando, com uma lata de massa de tomate, na beira do campo: ‘Bola para fulano… Bateu na trave… Gol!’. Treinei bastante. Meu sonho era transmitir um jogo de futebol”, disse ao Memória Globo.
Do rádio para o estrelato na televisão
Em 1952, Léo Batista se mudou para o Rio de Janeiro e ingressou na Rádio Globo, onde começou como redator e locutor de notícias. Foi na emissora que adotou o nome artístico, uma sugestão do amigo Luiz Mendes. Durante sua passagem pela rádio, se destacou ao noticiar em primeira mão o suicídio do presidente Getúlio Vargas, um momento que marcou sua carreira.
Em 1955, o jornalista trocou o rádio pela televisão, estreando na TV Rio (1955-1977). Ele participou da criação e apresentação do Jornal Pirelli, além de comandar programas como o TV Rio Ringue e narrar partidas de futebol. A experiência sacramentou sua posição como pioneiro da TV brasileira.
Léo Batista começou na Globo em 1970, como freelancer. Sua habilidade foi testada durante a Copa do Mundo no México, quando assumiu a locução de um jogo diretamente dos estúdios do Rio. O desempenho o levou à contratação definitiva. Pouco depois, ele substituiu Cid Moreira (1927-2024) no Jornal Nacional durante uma edição extraordinária. A partir daí, se firmou como uma figura essencial na emissora.
Ícone do jornalismo esportivo
Léo Batista foi um dos primeiros apresentadores do Jornal Hoje, em 1971. Ao lado de Luís Jatobá (1915-1982), ele participou da estreia do telejornal, considerado inovador na época. Nos anos seguintes, sua atuação se expandiu para outros programas esportivos.
Em 1973, apresentou o primeiro programa esportivo diário da Globo, que deu origem ao Esporte Espetacular. Cinco anos depois, em 1978, Léo comandou a estreia do Globo Esporte, onde ajudou a consolidar o formato que se tornaria um dos pilares da programação da emissora.
Além disso, Léo Batista foi a voz dos Gols do Fantástico, quadro que marcou gerações de telespectadores nas noites de domingo. Ele exerceu a função até 2007, quando Tadeu Schmidt assumiu o posto. Nos anos 2000, continuou a contribuir com quadros como Baú do Esporte e Gol a Gol, além de análises em programas especiais.
O legado de Léo Batista
Com mais de 40 anos dedicados à Globo, Léo Batista se tornou o apresentador mais longevo em atividade na emissora. Ele foi homenageado em 2011 com o quadro Histórias do Léo, exibido no Globo Esporte. Mesmo após deixar a apresentação regular do programa em 2014, ele seguiu participando de quadros e reportagens especiais.