PANORAMA

Globo Rural de hoje (22/3): custo alto no campo, avanço do sorgo e crise no leite

Edição deste domingo (22) detalha pressão dos fertilizantes, mudanças nas lavouras, desafios climáticos, impactos ambientais e histórias culturais do sertão brasileiro

Cristina Vieira e Helen Martins sentadas em banco durante apresentação do Globo Rural em estúdio da TV Globo
Cristina Vieira e Helen Martins no Globo Rural - Foto: Reprodução/Globo
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A edição do Globo Rural deste domingo (22), na TV Globo, apresentou um panorama detalhado dos desafios e transformações no campo brasileiro, com destaque para o aumento dos custos de produção, mudanças nas estratégias agrícolas e impactos ambientais. O programa, apresentado por Cristina Vieira e Helen Martins, reuniu reportagens que mostram como produtores estão reagindo a um cenário de incertezas econômicas e climáticas.

O que você precisa saber

  • Globo Rural destaca alta dos fertilizantes e impacto no trigo.
  • Guerra eleva custos e preocupa agricultores no Sul.
  • Sorgo cresce como alternativa à soja no Centro-Oeste.
  • Clima irregular influencia decisões no campo brasileiro.
  • Produtores de leite enfrentam queda de preços e ajustes.
  • Comunidades denunciam efeitos de agrotóxicos no Maranhão.
  • Sítios arqueológicos sofrem com avanço da agropecuária.
  • Artesanato em couro ganha espaço além do campo.

Entre os principais temas, o Globo Rural abordou a alta no preço dos fertilizantes, o avanço do sorgo como alternativa à soja, a crise enfrentada pelos produtores de leite e os efeitos da pulverização de agrotóxicos em comunidades. A edição também trouxe explicações técnicas para dúvidas do público e reportagens especiais sobre cultura e tradição no sertão.

Alta dos fertilizantes pressiona safra de inverno

O aumento expressivo no preço dos fertilizantes já impacta diretamente o planejamento da próxima safra, especialmente no Sul do país. De acordo com o Globo Rural, a elevação está ligada à guerra no Oriente Médio, que encareceu o transporte e o seguro das cargas, além de aumentar o risco logístico das importações.

O agricultor Luis Reiter, de Santa Rosa (RS), decidiu antecipar parte das compras para tentar reduzir os impactos. Ele relatou que ainda não adquiriu todos os insumos necessários e destacou a disparada nos preços: “A ureia está 40%, 50% a mais do que era o preço dela”.

Outro produtor da região afirmou que, diante dos valores atuais, repensaria a aquisição. “Se eu fosse comprar hoje, eu já não sei se eu ia comprar ainda”, disse. A incerteza leva produtores a recalcular investimentos e até reduzir áreas cultivadas.

Representantes do setor confirmam o cenário de pressão. Um dirigente de cooperativa afirmou que o impacto chega diretamente ao campo: “Isso vai impactar diretamente o produtor lá na ponta”. Apesar disso, empresas indicam que não há falta de fertilizantes no momento, mas alertam para reajustes assim que os estoques atuais se esgotarem.

Globo Rural mostra avanço do sorgo como alternativa à soja

Diante dos custos elevados e da irregularidade climática, produtores de Mato Grosso do Sul têm adotado o sorgo como alternativa à soja. O Globo Rural mostrou que a cultura, mais resistente à seca e com menor custo de produção, ganhou espaço rapidamente nos últimos anos.

O produtor Valdenir Portella, em Maracaju, decidiu substituir parte da soja pelo sorgo após sucessivas perdas. Ele explicou a motivação: “Quatro, cinco ou seis safras consecutivas tendo prejuízo na questão da soja”. A falta de chuva em momentos críticos foi decisiva para a mudança.

Os resultados financeiros reforçam a tendência. Enquanto o sorgo gerou cerca de R$ 2.400 por hectare, a soja rendeu aproximadamente R$ 1.300 na mesma área no ano anterior. A diferença tem incentivado novos produtores a testar a cultura.

Especialistas destacam que o sorgo não substitui totalmente a soja, mas amplia as opções. Um pesquisador afirmou que a cultura “amplia as possibilidades dentro da porteira”, permitindo maior flexibilidade diante das condições climáticas e de mercado.

Outro fator de crescimento é o uso do sorgo na produção de etanol. Um produtor relatou segurança na comercialização: “Eu tenho uma indústria hoje que eu chego aqui e vai lá, me recebe, classifica. Eu tenho onde descarregar”.

Clima segue determinante para decisões no campo

O clima continua sendo um dos principais fatores que orientam decisões no campo. A meteorologista Cyntia Toledo indicou no Globo Rural que a semana será marcada por chuvas em grande parte do país, com exceção de áreas de São Paulo, Sul de Minas e parte do Nordeste.

Segundo ela, volumes podem chegar a 100 mm no sul da Bahia e 120 mm em regiões do Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, as temperaturas seguem elevadas, com máximas de até 38°C no Sul e 36°C no Nordeste.

A especialista também alertou para tendências do outono. “O outono vai ser mesmo mais quente do que o normal”, afirmou. Ainda assim, há previsão de ondas de frio a partir de maio, com risco de geada em estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Agropecuária ameaça sítios arqueológicos em Goiás

O avanço da agropecuária também levanta preocupações sobre a preservação histórica. O Globo Rural mostrou que sítios arqueológicos em Goiás estão sendo afetados pela expansão de lavouras e pastagens.

Na região de Palestina de Goiás, mais de 60 sítios já foram identificados. Moradores relatam descobertas de pinturas rupestres e vestígios humanos. Uma agricultora contou que inicialmente não valorizava o achado: “Eu não dava valor nisso, não. Depois, daí para cá que eu peguei, dar valor”.

Pesquisadores alertam para a perda acelerada desses registros. Um especialista afirmou: “O avanço é muito grande e é muito mais rápido do que o trabalho da arqueologia”. Iniciativas como reservas particulares buscam conciliar produção e preservação.

Crise do leite força mudanças nas propriedades

Produtores de leite enfrentam um período de forte pressão econômica. O Globo Rural mostrou que a queda no preço pago ao produtor, combinada com custos elevados, tem levado a ajustes nas propriedades.

Em Goiás, um pecuarista relatou que chegou a vender o leite por R$ 1,90 o litro, valor significativamente inferior ao do ano anterior. Para equilibrar as contas, ele reduziu o número de animais e mudou a alimentação do rebanho.

Uma das estratégias foi o uso de resíduos industriais. “Esse aí é o bagaço da cevada, é o resíduo que sobra da cerveja”, explicou. A alternativa reduz custos sem comprometer a nutrição.

Especialistas apontam que a crise está ligada à queda no consumo e ao aumento das importações. Um técnico do setor destacou: “A gente precisa ter uma recuperação de demanda e conter essas importações”.

Agrotóxicos geram prejuízos em comunidades do Maranhão

O impacto da pulverização de agrotóxicos foi outro tema abordado pelo Globo Rural. No Maranhão, comunidades relatam perdas na produção e problemas de saúde após aplicações realizadas por drones em áreas vizinhas.

O agricultor Joaci descreveu o momento da exposição: “Eu senti aquele mau cheiro do veneno e senti aquela dor de cabeça”. Dias depois, plantações começaram a apresentar danos e perdas.

Especialistas explicam que o fenômeno conhecido como deriva faz com que o produto químico seja levado pelo vento. “Se cai nas plantas, eu tenho ali a morte dessas plantas”, afirmou um técnico.

Levantamentos indicam que centenas de comunidades foram afetadas nos últimos anos. A principal dificuldade, segundo o programa, é a fiscalização das aplicações.

Dúvidas dos telespectadores: explicações técnicas

O quadro de perguntas trouxe orientações práticas sobre problemas comuns.

Sobre ovos maiores, a zootecnista Bruna B. explicou que o fenômeno é natural. “Essa variação no tamanho é uma consequência do processo fisiológico da ave”, afirmou. Segundo ela, aves jovens produzem ovos menores, que aumentam com o amadurecimento.

No caso da cebolinha, o problema foi associado a fungos. O agrônomo explicou: “Esse problema é a antracnose na cebolinha”. A recomendação inclui retirada das partes afetadas e uso de fungicidas.

Já sobre o mirtilo, especialistas confirmaram que é possível plantar em vaso. Também esclareceram que o escurecimento do caule é natural. “Ela está apenas formando madeira”, explicou um agrônomo.

Cultura do couro ganha espaço além do campo

A edição também destacou a valorização cultural do sertão, com foco nos mestres do couro. Artesãos transformam peças tradicionais do vaqueiro em produtos que alcançam novos mercados.

O artesão Irineu do Mestre ressaltou a importância do trabalho: “O orgulho maior é confeccionar um terno de couro para o vaqueiro”. Já Espedito Seleiro levou a tradição para o universo da moda.

Ele destacou o reconhecimento do trabalho: “Se eu vender alguma peça sem assinatura, ele não vai usar. Tem que voltar para eu colocar a marca”. O artesanato, antes restrito ao campo, ganha visibilidade nacional e internacional.

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Foto de Túlio Medeiros
Túlio Medeiros
Editor-chefe do Portal da TV e escreve sobre televisão e colabora com sites de entretenimento desde 2010. Além de novelas e programas de auditório, sua preferência nas telinhas é acompanhar telejornais locais e nacionais das principais emissoras brasileiras.

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