O Globo Rural deste domingo (18) apresentou um retrato detalhado da agricultura nacional e internacional neste início de 2026. A edição do jornalístico comandada por Nélson Araújo e Cristina Vieira abordou desde os contrastes climáticos que definem a colheita da soja no Brasil até a cooperação técnica na África, passando pela biodiversidade da caatinga.
O que você precisa saber
- Mato Grosso enfrenta queda de produtividade na soja.
- Rio Grande do Sul projeta safra cheia com a chuva.
- Safra de guaraná no Amazonas deve crescer 20% em 2026.
- Tecnologia no Ceará eleva produção de pimentão.
- Tamanduá-i, o menor do mundo, é filmado no Piauí.
- Brasil exporta técnicas de algodão para o Mali.
- Seca no Piauí causa perdas severas nas lavouras.
- Acordo Mercosul-UE é assinado em Assunção.
Colheita da soja: cenários opostos
Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, as máquinas já estão em campo, mas o clima é de cautela. Em Sorriso, no médio-norte do estado, a falta de chuva no final de 2025 impactou o desenvolvimento das plantas. A Conab estima uma produtividade média de 60 sacas por hectare, abaixo das 66 sacas da safra anterior.
“A safra está só começando. Nossa expectativa a cada safra é produzir e trabalhar um pouco a mais que a passada”, disse o produtor Mateus, que espera manter a média em sua propriedade. O coordenador de produção Fernando relatou que 60% dos grãos esperados já foram comercializados, com preços oscilando entre R$ 100 e R$ 103 a saca.
Já no Rio Grande do Sul, a situação é inversa. Após anos de estiagem, a chuva voltou a beneficiar as lavouras. Em Giruá, o agricultor Sandro projeta colher acima de 60 sacas por hectare. A Emater estima uma produção estadual de 21,4 milhões de toneladas. “Hoje ela está com 50 cm, bonita, bem folhada. Dá para ter esperança de fazer uma boa colheita”, comemorou o agricultor Jairo, de Santa Rosa.
Guaraná no Amazonas em alta
No Amazonas, a colheita do guaraná promete ser 20% maior nesta safra. O município de Maués segue como referência, mas produtores da Região Metropolitana de Manaus também celebram a recuperação após a seca extrema de 2022/2023.
O uso de cultivares desenvolvidas pela Embrapa, mais resistentes a doenças, foi fundamental. “A adoção dos nossos materiais tem contribuído muito para o aumento da produtividade, notadamente ao longo dos últimos dez anos”, explicou um pesquisador da entidade.
Tecnologia no Ceará e o menor tamanduá do mundo
O programa destacou a produção de pimentão colorido na Serra da Ibiapaba (CE). Uma fazenda local utiliza estufas e controle biológico com ácaros predadores para combater pragas, eliminando o uso de agrotóxicos. O manejo elevou a produtividade de 15 para 27 frutos por planta, totalizando 200 toneladas mensais.
No quadro Baú do Globo Rural, a reportagem revisitou o Delta do Parnaíba (PI) em busca do tamanduá-i, a menor espécie do mundo. Com hábitos noturnos e pesando cerca de 300 gramas, o animal é difícil de ser avistado e vive exclusivamente nas árvores.
Missão na África e Giro de Notícias
Uma reportagem especial mostrou o impacto da tecnologia brasileira no Mali, na África. Pesquisadores nacionais introduziram o plantio direto e o consórcio de culturas, ajudando o país a se tornar o maior produtor de algodão do continente. “Nós somos felizes vivendo aqui. Temos comida suficiente para a nossa família”, afirmou o agricultor Içá.
No quadro Giro de Notícias do Globo Rural, o destaque foi a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia e a redução histórica de 65% no desmatamento do Pantanal. A seca no Piauí também foi pauta, com previsão de chuvas insuficientes (apenas 10 mm) para reverter o quadro crítico em municípios como Pio Nono.


