O universo sertanejo tem ampliado sua presença no audiovisual brasileiro e se firmado como um dos principais motores de conteúdo na TV, no cinema e nas plataformas digitais. A força do gênero musical, que está no dia a dia de 48% dos brasileiros, segundo o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), impulsiona produções que exploram narrativas do interior e aumentam a representação cultural desse ambiente.
O que você precisa saber
- Universo sertanejo cresce no audiovisual brasileiro.
- Música está presente no dia a dia de 48% dos brasileiros.
- Novela Coração Acelerado aposta na temática rural.
- Produções exploram rodeios e vida no interior.
- Filme DOMA retrata drama ambientado no campo.
- Estreia ocorreu no Cine Belas Artes em SP.
- Produção seguirá para festivais internacionais.
Esse movimento se reflete diretamente na televisão. A novela Coração Acelerado, nova produção das sete da TV Globo, incorpora o universo sertanejo em sua narrativa. Com abertura interpretada por Ana Castela, a trama acompanha o personagem João Raul, vivido por Filipe Bragança, um cantor fictício que busca espaço no cenário musical.
Ambientada na cidade fictícia de Bom Retorno, no interior de Goiás, a novela aposta em elementos visuais e narrativos ligados ao campo, como rodeios, estábulos e figurinos com chapéus e botas. A ambientação reforça a presença do universo sertanejo na dramaturgia e dialoga com um público que se reconhece nessas referências culturais.
Universo sertanejo chega ao cinema
No cinema, o universo sertanejo também ganha espaço com produções como o curta-metragem DOMA, estrelado por Carolina Belarmino. O filme acompanha a história de Mariana, jovem que precisa vender sua égua para custear o tratamento do pai, mas decide arriscar tudo em uma última corrida, em um enredo que mistura afeto, perda e pertencimento.
“Eu cresci na cidade, mas meus pais vieram da roça. Muitos dos meus finais de semana de infância eram passados em sítios de amigos da família, andando a cavalo, convivendo com animais e indo aos rodeios das cidades da região. Quando era mais nova, inspirada por esse ambiente, eu cheguei a fazer aulas de três tambores, e estar próxima dos cavalos marcou muito a minha relação com esse mundo. A Festa do Peão de Barretos, por exemplo, era um passeio em família que ficou muito forte na minha memória. Para mim, esse universo sempre foi algo muito natural, quase uma extensão da minha própria história familiar”, conta.
A atriz afirma que a presença dos rodeios permanece forte por sua ligação com as raízes rurais do país. “Mesmo para quem cresce na cidade, como foi o meu caso, muitas famílias ainda têm uma conexão com o campo, seja através da história dos pais ou dos avós, seja pelas pequenas cidades do interior onde essas tradições continuam muito vivas”, explica.
“Para muitas comunidades, o rodeio é mais do que uma competição. É um evento cultural que reúne música, festa, encontro entre famílias e uma relação muito antiga com os animais e com o trabalho no campo. Ele acaba funcionando como um espaço onde essa identidade rural continua sendo celebrada. No meu caso mesmo, quando penso na presença dos rodeios na cultura brasileira, penso muito nessa mistura entre memória familiar, tradição e pertencimento”, conta.
O curta teve estreia no Brasil no fim de fevereiro, em sessão no Cine Belas Artes, em São Paulo, e seguirá para exibições internacionais, com passagem prevista por Londres. A produção aposta na autenticidade ao reunir profissionais ligados ao universo retratado, como a figurinista Isadora Paulinich e o treinador de cavalos Manelão.
“É muito especial poder retratar uma realidade que ainda não é tão conhecida do Brasil lá fora. Quando estrangeiros ouvem falar de Brasil, logo pensam em Carnaval, futebol e Amazônia. E se eu pudesse mostrar um lado que eles ainda não viram e que faz parte do meu dia a dia e história no Brasil? Foi daí que surgiu a ideia para o filme. O campo e o rodeio têm histórias e camadas que merecem ser exploradas, eles fazem parte da identidade brasileira e carregam uma riqueza cultural enorme, com histórias profundas, humanas e cheias de camadas”, conta.
“Acho que o grande chamariz dessa cultura que tem crescido tanto no audiovisual é justamente a força das histórias humanas que existem nesse universo. O interior brasileiro carrega tradições muito profundas e uma identidade cultural que se manifesta na música, nas festas e no cotidiano dessas comunidades. Ao mesmo tempo, muitas vezes o campo brasileiro é retratado apenas a partir de conflitos, problemas ambientais ou disputas políticas, o que acaba criando uma visão simplificada dessa realidade. Acho que quando o audiovisual começa a mostrar essas camadas mais humanas e complexas do interior, ele desperta curiosidade e identificação no público. Existe uma vontade de conhecer melhor esse Brasil que muitas vezes fica à margem das narrativas mais comuns”, conclui.

