O Globo Repórter desta sexta-feira (22) percorre o sertão nordestino para revisitar a memória do cangaço e apresentar histórias ligadas à cultura da região. A edição reúne relatos de pesquisadores, moradores e familiares de personagens históricos ligados ao movimento. Com reportagens de Bianka Carvalho, o programa passa por áreas da Bahia e de Pernambuco marcadas pela presença dos cangaceiros no início do século XX.
Um dos cenários apresentados pelo Globo Repórter é o Raso da Catarina, região do sertão baiano que serviu de esconderijo para bandos liderados por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião (1898-1938). O local possui quase 100 mil hectares de vegetação árida e espinhosa. O historiador Frederico Pernambuco de Mello afirma que o cangaço permanece ligado ao imaginário popular sertanejo. “É um épico à flor da pele, como um romance de cavalaria adaptado à realidade do sertão”, diz.
Globo Repórter revisita trajetória de Lampião
A reportagem também aborda a trajetória de Lampião, apontado como o principal símbolo do cangaço no Brasil. Segundo o pesquisador, o líder comandou o grupo mais organizado e duradouro do movimento. Frederico Pernambuco de Mello destaca ainda que a violência marcou sua atuação. “Se analisado dentro das circunstâncias do tempo e do lugar, ele pode ser compreendido, mas não perdoado, porque usava extrema violência, o que não há dúvidas”, afirma.
Durante a viagem pelo sertão, o programa mostra aspectos do cotidiano dos cangaceiros pouco conhecidos pelo público. Entre eles estão o uso de ervas medicinais da caatinga, utilizadas diante da ausência de atendimento médico formal. A edição também apresenta detalhes sobre habilidades de costura e bordado desenvolvidas pelos integrantes dos bandos, além da atuação dos chamados coiteiros, responsáveis por fornecer abrigo, alimento e informações.
Em Serra Talhada, cidade pernambucana onde Lampião nasceu, o Globo Repórter visita a casa do ex-cangaceiro, atualmente transformada em espaço de preservação histórica. O imóvel foi adquirido pelo pesquisador Anildomá Willans, que mantém no terreno uma réplica de acampamento cangaceiro aberta à visitação. “O sertanejo muitas vezes entrava no cangaço em busca de justiça e de melhores condições de vida. Temos uma história bela e importante, bem aos nossos pés e aos nossos olhos”, afirma.
Memória de Maria Bonita ganha destaque
A trajetória de Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita (1898-1938), também faz parte da edição do Globo Repórter na TV Globo. A casa onde ela viveu funciona atualmente como museu dedicado à preservação da memória de Maria Bonita, considerada a primeira mulher a integrar o cangaço. O programa relembra ainda a história de Expedita Ferreira, filha única de Maria Bonita e Lampião, que fala sobre o legado familiar construído ao longo das décadas.
O pesquisador Manoel Severo participa da edição e destaca o interesse contínuo pela história do cangaço no Brasil. Segundo ele, Lampião segue entre os personagens mais biografados do país. O Globo Repórter vai ao ar nesta sexta-feira (22), logo após Guerreiros do Sol, na programação do horário nobre da TV Globo.


