O empresário, palestrante e ex-atacante Júnior Moraes é o convidado do CNN Esportes S/A, que vai ao ar neste domingo (19), às 21h15, na CNN Brasil. Em entrevista a João Vitor Xavier, ele relembra episódios vividos durante a guerra na Ucrânia, em 2022, detalha a fuga do país, os traumas após o retorno ao Brasil e analisa o futuro de Estêvão, atacante do Chelsea.
O que você precisa saber
- Júnior Moraes participa do CNN Esportes S/A
- Programa vai ao ar domingo (19), às 21h15, na CNN Brasil.
- Ex-jogador relembra guerra vivida na Ucrânia em 2022.
- Relato cita falta de comida, frio de -12 graus e ataques.
- Saída do país teve apoio da UEFA e da federação local.
- Viagem de trem durou 16 horas sob risco de bombardeios.
- Trauma pós-guerra causou pesadelos e problemas físicos.
- Ex-atacante vê Estêvão com potencial de Top 3 mundial.
Durante a conversa, Júnior Moraes descreve o momento em que percebeu o início do conflito. “Foi uma loucura que aconteceu em 2022, num período onde eu fui dormir em paz e acordei às 5 da manhã em guerra”, recorda. Ele também relata dificuldades enfrentadas nos primeiros dias, marcados por escassez de recursos e condições climáticas extremas que dificultaram qualquer tentativa de saída.
O ex-jogador detalha a gravidade da situação logo após os primeiros ataques. “A gente viveu os quatro primeiros dias, onde do momento que teve o primeiro ataque, já tinha acabado o combustível, a escassez de alimentação, a estrada toda fechada, -12 graus. Então, todas as circunstâncias eram contrárias para a gente sair dali. No terceiro dia que a gente já não tinha mais esperança de sair dali,” relata.
Júnior Moraes relembra fuga e traumas após guerra
Ao explicar a saída da Ucrânia, Júnior Moraes destaca o apoio institucional recebido. “O presidente da Uefa conseguiu isso através da Federação Ucraniana de Futebol para poder fazer toda essa logística. Conseguimos pegar um trem. E em um trajeto de 8 horas até a estação final, a gente fez em 16 horas, porque o número de ataques era tão grande que o trem tinha que ir parando, esperando cair os mísseis e as bombas para a gente poder continuar. Então, a gente conseguiu passar pela Moldávia”, diz.
Mesmo após deixar a zona de conflito, o ex-atacante afirma que enfrentou consequências psicológicas intensas ao retornar ao Brasil. “Quando eu chego no Brasil, o que eu penso: ‘Eu vou jogar futebol e eu não corro mais risco de vida’. Só que eu não sabia que uma conta viria para mim que eu não estava esperando, que é um trauma pós-guerra. E de repente eu começo a ter pesadelos, não consigo dormir. Pesadelos onde eu vejo cair bomba no meu filho. Com a cama toda encharcada e transpirando muito e vivendo a guerra”, desabafa.
Ele ainda relata sintomas físicos associados ao trauma, que impactaram diretamente sua rotina profissional. “Eu ia treinar com calafrio e febre. Eu concentrava para jogar com alergias que eu nunca tive, minha cara inchava, só que a gente ia tratando essas coisas pontuais. Esse processo demorou mais de um ano para a gente entender realmente o que eu tava vivendo”, relata.
Ao abordar o cenário atual do futebol, Júnior Moraes comenta sobre a chegada de Estêvão ao Chelsea e demonstra atenção ao processo de adaptação do jovem atleta. “Eu tinha muita preocupação com a adaptação dele na Premier League, como um menino de 18 anos vai sair do futebol brasileiro e se adaptar na Premier League. Ele se preparou mentalmente, então realmente ele merece todo o destaque,” comenta.
Na projeção sobre o futuro do jogador, o ex-atacante destaca confiança no desempenho do brasileiro. “Eu te afirmo, sem sombra de dúvidas, que o Estêvão tem muito potencial para ser Top 3 do mundo. Pela personalidade que ele tem, pelo talento que ele tem, se ele entrar nessa esteira de resultado positivo, com certeza a gente vai ver ele lutando pela bola de ouro”, afirma.


