A TV Globo estreia nesta quarta-feira (1º), logo após Quem Ama Cuida, a série documental Anos 90: A Explosão do Pagode. Dividida em três episódios, exibidos semanalmente às quartas-feiras, a produção dos Estúdios Globo revisita a trajetória do ritmo nascido na periferia de São Paulo, que alcançou projeção nacional e marcou a música brasileira durante a década de 1990.
Anos 90: A Explosão do Pagode resgata a origem do movimento
Dirigida por Emilio Domingos e Rafael Boucinha, com roteiro de Raul Perez, Anos 90: A Explosão do Pagode acompanha a origem, o crescimento, os conflitos e o legado do gênero. A narrativa mostra como o movimento ultrapassou as paradas de sucesso e passou a integrar a memória afetiva de diferentes gerações em todo o país.
A série reúne artistas como Salgadinho, Chrigor, Netinho, Péricles, Belo e Márcio Art, além dos grupos Katinguelê, Exaltasamba, Soweto, Negritude Júnior, Art Popular, Só Pra Contrariar, Raça Negra e Molejo. O documentário também destaca a participação de produtores e empresários no crescimento do gênero musical.
Com imagens de arquivo e entrevistas inéditas, a produção apresenta bastidores, desafios, conquistas e o impacto do pagode na trajetória de seus protagonistas. A trilha sonora reúne músicas como No Compasso do Criador, Recado à Minha Amada, Inaraí, Coral de Anjos, Gamei, Me Apaixonei pela Pessoa Errada, Desejo de Amar, Absoluta, Geladinho e Derê.
Produção foi construída durante as filmagens
Responsável pelo roteiro, Raul Perez explicou que o desenvolvimento da narrativa acompanhou todas as etapas das gravações. “O documentário é dois produtos em um: tanto um longa-metragem quanto uma série. Por isso, a narrativa precisava funcionar nos dois formatos. Começamos com um briefing dos diretores e criadores, que definiu o universo do projeto e a perspectiva da nostalgia.”
“O roteiro foi sendo moldado em paralelo às filmagens e entrevistas. Tivemos um alinhamento muito grande, e tudo só aconteceu por conta da ótima condução dos diretores, da equipe de produção muito atenta e sagaz e, do ponto de vista do roteiro, de um alinhamento com os pesquisadores. Fomos montando o quebra-cabeça juntos. Foi um trabalho colaborativo intenso com a equipe de produção e os pesquisadores, mas muito prazeroso”, afirma.
Além da música, a série aposta em recursos visuais inspirados nos anos 1990. A direção utiliza uma paleta de cores vibrantes, figurinos e locações que recriam o período retratado. Também aparecem elementos marcantes da moda da década, como roupas largas, estampas coloridas, acessórios e estilos de cabelo característicos daquela geração.
Representatividade também ganha espaço na série
Segundo Rafael Boucinha, o documentário também destaca a dimensão cultural do movimento. “O pagode dos anos 90 não foi só música, foi uma revolução cultural e converge com o auge da televisão brasileira. Era um movimento musical da periferia que conquistou o país, colocando o homem negro na frente das câmeras em horário nobre, e isso mudou tudo.”
A produção também aborda temas como representatividade negra, indústria fonográfica, machismo e a ausência de vozes femininas no gênero, além das conexões entre São Paulo e Rio de Janeiro na formação dessa sonoridade. Para Emilio Domingos, “O pagode dos anos 90 é um marco na representatividade negra na música brasileira. Esses artistas, vindos da periferia de São Paulo, dominaram as paradas de sucesso e a televisão em uma época em que a indústria fonográfica era extremamente influente.”
Ao estabelecer um diálogo com o presente, Anos 90: A Explosão do Pagode reúne ainda participações de Ludmilla, Thiaguinho e Gloria Groove, destacando a influência do gênero na música brasileira atual. O documentário é produzido pelos Estúdios Globo, criado por Emilio Domingos e Felipe Giuntini, com produção de Anelise Franco e Kayque Carlos e produção executiva de Fernanda Neves.


