Felipe Nunes, cientista político e fundador do instituto de pesquisas Quaest, explicou por que não vota nas eleições desde a criação da empresa. Em entrevista ao Provoca, ele relaciona a escolha à busca por isenção na análise do comportamento do eleitor. A conversa com Marcelo Tas vai ao ar nesta terça-feira (1º), às 22h30, na TV Cultura.
Durante a entrevista, Felipe afirma que deixou de votar depois de fundar a Quaest. “A melhor maneira de você praticar aquilo que eu defendo, que é isenção, independência e neutralidade, é não fazendo o esforço mental de ir votar”, afirma. O cientista político apresenta a decisão ao explicar como procura manter neutralidade diante das disputas eleitorais.
Ao comentar as mudanças no eleitorado, Nunes diz que o interesse por política cresceu, ao mesmo tempo em que as pessoas passaram a enxergar o mundo por suas próprias posições. “As pessoas estão mais politizadas, mas também estão mais enviesadas, porque agora elas olham pro mundo a partir dessa identidade que elas carregam na cabeça”, afirma.
O pesquisador avalia que esse movimento tem um aspecto positivo, mas afeta a conversa entre posições diferentes. “A boa notícia é povo tá mais politizado, tá mais interessado, mas isso diminui a capacidade do debate”. Nunes também aponta uma confusão entre divergência e agressão. “A gente está confundindo debate político com violência”, diz durante a entrevista.
Felipe Nunes diferencia debate político de violência
Felipe Nunes defende que o país recupere a capacidade de conviver com opiniões diferentes e separa o confronto de ideias da violência entre pessoas. Ao tratar do papel do conflito em uma democracia, o cientista político resume sua posição: “as ideias têm que brigar, não as pessoas”. A entrevista também aborda os desafios enfrentados pelas pesquisas eleitorais.
Ele contesta a ideia de que pesquisas tenham como função prever ou acertar o resultado de uma eleição. “O papel das pesquisas eleitorais não é acertar resultado”, explica. Para o fundador da Quaest, esses levantamentos não funcionam como aposta sobre o futuro, mas servem para interpretar o comportamento do eleitor e acompanhar mudanças de atitude durante o processo eleitoral.
Ao explicar os limites desse trabalho, o pesquisador rejeita a possibilidade de antecipar com certeza o que acontecerá nas urnas. “Eu não tenho bola de cristal, não faço futurologia. E não há disciplina nas ciências sociais, não há, que te ensine a projetar o futuro.” A análise, segundo ele, busca compreender como o eleitor se comporta ao longo da disputa do processo eleitoral.


