Carlos Monforte (1949-2026), um dos pioneiros do telejornalismo brasileiro, morreu nesta segunda-feira (31), aos 77 anos. A família do jornalista confirmou a informação à TV Globo. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a causa da morte nem informações sobre o sepultamento. O profissional construiu uma longa trajetória na televisão, com passagens por diferentes telejornais da emissora e da GloboNews.
Carlos Américo Aguiar Monforte estudou jornalismo na Faculdade de Comunicação de Santos e entrou na profissão antes mesmo de concluir o curso. Começou como repórter no jornal A Tribuna e se formou em 1972. Depois, trabalhou na Secretaria de Obras do Estado de São Paulo e atuou como repórter especial de O Estado de S.Paulo entre 1973 e 1978.
Nesse período, o jornalista também fez cursos de aperfeiçoamento no exterior. Estudou na Universidade de Navarra, na Espanha, em 1973, e na Fundação Beauve Marie, na França, entre 1975 e 1976. A experiência no jornalismo impresso antecedeu sua chegada à televisão. Em 1978, Carlos Monforte recebeu um convite para integrar a redação da TV Globo em São Paulo.
Carlos Monforte iniciou trajetória na TV Globo em 1978
Contratado como repórter local, Monforte produziu matérias para Jornalismo Eletrônico (1976-1978) e, depois, para Jornal Nacional e Fantástico. Entre as coberturas daquele período estavam as greves dos metalúrgicos no ABC paulista. A adaptação ao novo veículo exigiu aprendizado, segundo ele. “Foi um susto. Eu confesso que tive de passar dois anos para aprender televisão”, contou ao Memória Globo.
Monforte também trabalhou com as unidades móveis, uma novidade naquele período. “Era o começo do link, de matérias ao vivo.” Com o equipamento, ele saía às ruas de São Paulo para produzir três ou quatro reportagens por dia. Em 1982, assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e, naquele mesmo ano, tornou-se editor e apresentador do Bom Dia São Paulo.
“Dante Matiussi [chefe da redação de São Paulo] resolveu fazer o Bom Dia São Paulo com um âncora, alguém que fosse o editor-chefe e comandasse o jornal, com entrevistas. Passei um ano e pouco fazendo o jornal ao vivo, com entrevistas, com notícias, com links. Na Copa de 1982, por exemplo, recebíamos coisas do Juarez Soares, lá da Espanha, e conversávamos com ele”.
Em janeiro de 1983, Carlos Monforte assumiu como editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil. A proposta inicial do telejornal priorizava assuntos políticos e econômicos. Somente no primeiro ano, a atração realizou cerca de 700 entrevistas com empresários e políticos. Monforte permaneceu nove anos à frente do programa e ficou marcado como um dos primeiros âncoras do telejornalismo brasileiro.
“Âncora é uma expressão que nasceu nos Estados Unidos: anchor-man. Mas o âncora americano é o que apresenta o jornal, simplesmente. Ele não dá um palpite, não dá uma opinião, simplesmente apresenta o jornal. No Brasil, o âncora é o editor-chefe: ele comanda, diz o que entra no jornal, qual será a sequência dos blocos”, explicou Monforte sobre a função.
No fim da década de 1980, o jornalista participou do Palanque Eletrônico, programa que reuniu candidatos à Presidência da República nas eleições de 1989. Ao lado de Joelmir Beting (1936-2012), Lillian Witte Fibe, Alexandre Garcia e outros convidados, entrevistou os presidenciáveis sobre suas principais propostas. Em 1992, deixou a TV Globo para montar o departamento de Comunicação da Confederação Nacional de Indústrias (CNI).
Jornalista participou de coberturas políticas e da GloboNews
Dois anos depois, Monforte retornou à TV Globo como repórter especial do Jornal da Globo em Brasília. Em setembro de 1994, entrevistaria o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. Antes do início da conversa, um comentário informal do ministro foi captado por antenas parabólicas que estavam na mesma frequência do sinal da Embratel. O incidente terminou com a saída de Ricupero do governo.
Monforte permaneceu como repórter do Jornal da Globo até 1996, quando voltou ao Bom Dia Brasil como âncora em Brasília. Em abril de 1997, entrevistou o então presidente Fernando Henrique Cardoso para o Jornal Nacional sobre o Movimento dos Sem-Terra. Meses depois, produziu para o telejornal a série Custo Brasil e também participou da cobertura da CPI do narcotráfico.
Em 1998, o jornalista passou a atuar no Espaço Aberto (1996-2015), da GloboNews, onde entrevistou personalidades da política e abordou temas como segurança pública, reformas tributária e política, Lei de Responsabilidade Fiscal e queimadas na Amazônia. Ele ainda voltou ao Jornal da Globo em 1999 e, depois, trabalhou no Jornal Hoje. No fim de 2000, assumiu a coordenação da GloboNews em Brasília.
Na emissora de notícias, Monforte apresentou o Jornal das Dez a partir da capital federal e participou de atrações como Espaço Aberto, GloboNews Política e Fatos e Versões. Sua carreira na televisão atravessou coberturas políticas, entrevistas e diferentes funções nas redações. A família não informou a causa da morte nem divulgou, até o momento, os detalhes sobre o sepultamento.


