Dos 150 episódios produzidos de Supernanny (2006-2014) pelo SBT, apenas dois não chegaram ao ar após as famílias desistirem da exibição. Cris Poli revelou que um dos casos ocorreu depois que uma mãe se revoltou com a decisão da filha mais velha de doar um bicho de pelúcia. A participante, então, acusou a pedagoga de interferir no comportamento das crianças.
O episódio aconteceu em uma casa que acumulava grande quantidade de brinquedos. O conflito surgiu quando a menina escolheu um dos bichos de pelúcia para doação. Segundo Cris Poli, a reação da participante mudou o rumo da gravação. “A mãe surtou: ‘Esse cachorrão é meu, como que vai dar?’. Ela começou a falar que eu estava fazendo lavagem cerebral nas crianças”, relata.
A pedagoga contou o caso durante entrevista a Daniela Albuquerque no Sensacional, que a RedeTV! exibe nesta segunda-feira (31), às 22h45. O relato mostra um dos raros momentos em que uma família desistiu da participação depois das gravações. Entre todos os episódios feitos ao longo do programa, somente dois tiveram esse destino, conforme explicou a educadora.
Supernanny exigia 90 horas semanais de gravação
Além do episódio que não foi exibido, Cris Poli relembrou a rotina intensa nos bastidores de Supernanny. A pedagoga passava duas semanas com cada família e gravava durante oito horas por dia. “Passava duas semanas com a família, 8 horas por dia. Era bem puxado. A gente gravava 90 horas por semana para editar e ficar com 45 minutos”, explica.
A exposição também alterou a rotina de Cris Poli pouco depois da estreia da atração. “Quando começou a fazer esse sucesso, não conseguia nem ir ao supermercado. As pessoas estão fazendo compras, ninguém olha muito para o outro, mas de repente alguém me descobria e vinha todo mundo tirar foto, pedir autógrafo e conselho”, relembra a pedagoga sobre a repercussão do programa.
As críticas ao método usado com as famílias também fizeram parte da trajetória da educadora na televisão. “Era mais firmeza do que rigidez. Havia um bom resultado de relacionamento com as crianças. No final do programa elas gostavam de mim, me abraçavam, me davam beijo. Isso mostrou que a firmeza não é ruim para educar a criança, desde que você faça com amor”, pontua.
A metodologia chegou até a família de Cris Poli. Segundo ela, em algumas situações, a filha recorria à especialista para lidar com os próprios filhos. “Às vezes as crianças aprontavam e ela me ligava: ‘Não quero falar com a avó, quero falar com a Supernanny’”, recorda. A educadora também contou que tinha 60 anos quando recebeu o convite para participar da seleção do programa.
Argentina e sem experiência no meio televisivo, Cris Poli disse que fez três alertas à equipe do SBT antes de entrar na televisão. “Falei: ‘Para que vocês saibam: já sou velha, não sou brasileira, então tenho sotaque, e não sei nada de televisão, não me interessa’. Até hoje eu assisto TV com meu marido. Sozinha sou incapaz de ligar uma televisão”, admite.


