O Globo Repórter percorre os Lençóis Maranhenses nesta sexta-feira (9) para mostrar um território em constante transformação, onde natureza, ciência e vida humana convivem. Com reportagem de Bette Lucchese, a edição da TV Globo atravessa dunas, lagoas, rios, praias e manguezais. O programa, que tem apresentação de William Bonner e Sandra Annenberg, vai ao ar logo após Quem Ama Cuida.
Reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade, a região abriga o maior campo de dunas da América do Sul. O percurso inclui áreas preservadas do parque nacional e os oásis de Baixa Grande e Queimada dos Britos, pontos de descanso na parte mais remota da área. A equipe acompanha viajantes que caminham cerca de 40 quilômetros em quatro dias, com longos trechos pela areia.
Famílias convivem com o avanço das dunas
Nos povoados entre as dunas, famílias que vivem ali há gerações recebem visitantes e contam como o turismo passou a fazer parte do cotidiano. Em Queimada dos Britos, Jôina Malheiros, descendente dos primeiros moradores, explica como os habitantes conciliam essa atividade com a pesca. Ela também relata que precisou mudar de casa por causa do avanço da areia.
As marcas desse movimento aparecem também em Betânia, onde Dona Maria Aparecida Santos, de 85 anos, mostra os efeitos da areia no lugar em que criou a família. Apesar das mudanças na paisagem da comunidade, a moradora afirma que não pretende sair dali. “Um lugar que eu amo é meu lugar, Betânia”, declara durante a visita da reportagem.
Globo Repórter acompanha pesquisas sobre dunas e lagoas
Para explicar a formação das dunas e das lagoas temporárias, pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão detalham o caminho da areia, que chega em parte pelos rios ao litoral e depois segue com o vento. A água da chuva penetra no lençol freático e retorna à superfície no período chuvoso. A equipe acompanha estudos no Rio Negro, ligado ao equilíbrio hídrico do parque.
As lagoas também revelam o movimento da paisagem: elas enchem, secam e, em alguns casos, rompem as dunas. Nesse ambiente, a reportagem mostra como espécies de pequenos peixes sobrevivem à estiagem. Os ovos permanecem enterrados na areia até que as chuvas voltem a encher as lagoas, quando eclodem. O ciclo acompanha a alternância entre os períodos secos e chuvosos.
Durante um pernoite nas dunas, a equipe registra uma chuva de meteoros, longe das luzes da cidade e em uma noite de lua nova. O repórter cinematográfico Piero Caputo capta o fenômeno. Entre os animais apresentados na edição está ainda a pininga, espécie que vive nas lagoas e permanece enterrada durante os meses de estiagem.
Reprodução de tartarugas e conservação entram no percurso
Na Praia do Caburé, no entorno do parque, pesquisadores monitoram a reprodução das tartarugas marinhas. O programa acompanha o trabalho ao longo de 23 quilômetros de praia e registra o nascimento dos filhotes, além do caminho que percorrem até o mar. Essa etapa da viagem mostra a atividade dos pesquisadores na faixa litorânea próxima à área protegida.
O aumento da visitação leva a reportagem aos desafios de conciliar turismo e conservação. Os dados apresentados mostram que o público passou de 440 mil visitantes, em 2024, para 650 mil, em 2025. Representantes do ICMBio explicam as regras de acesso ao parque e a importância da participação de moradores, turistas, agências e condutores na preservação da área.
Em Atins, o projeto Peixinhos da Areia recebe crianças da comunidade no contraturno escolar e desenvolve atividades sobre educação e natureza. A iniciativa atende novas gerações que crescem próximas ao parque e aprendem sobre a responsabilidade de preservar o ambiente onde vivem. A visita ao projeto encerra o percurso da equipe pelos Lençóis Maranhenses.


